Quarta-feira, 1 de Junho de 2011
Nada como perder um amigo para perceber que perdemos sem nunca termos ganho nada.

Tenho andado meio por fora do blog. Por razões que nem vos interessam a vocês, e não sei se a mim também.

 

As nossas vidas são como um véu de tule que nos cobre e destapa quado lhe apetece. Não sei se ao tule se a mim.

 

Pelo menos para mim é assim: sou ateu graças a Deus!

 

O que me fez vir aqui hoje foi o facto de um amigo meu ter morrido ontem, mais ou menos por esta hora.

 

Estava a jogar futebol, caiu para o lado e morreu. Só isso. MORREU.

 

Lembrei-me da ultima entrevista que lhe fiz e em que falava da primeira exposição colectiva de fotografia que tinha feito num antigo café abandonado. Fomos três. Ele, eu e o Inácio.

 

Ele morreu ontem, prostramos os outros dois restantes da colectiva na bicha do destino a ver quem será o próximo.

 

A entrevista com a minha amiga Paula Ferro (para o "Postal do Algalve") na altura ficou assim:

 

 

http://mareraizes.blogspot.com/2009/06/entrevistareportagem-com-jorge-corte.html

 

 

Fica bem Jorge...




Sábado, 16 de Outubro de 2010
A Praia do Pôr do Pau (4)

 No Algarve era diferente, não havia relógio. Depois do lanche, até o sol cair p’ro mais fresquinho, dormia-mos, ou fazia-nos “fazer” que dormia-mos uma sesta. O meu primo Rui, o mais velho - que já não brincava com a gente, tinha uma mota antiga de lata pintada de vermelho e amarelo, de quando ele era da nossa idade. A mota estava em cima dum aparador. Sonhávamos as sestas em corridas de motas de lata. As dormidas eram chatas, mas as corridas engraçadas.

 

 Eu tinha chegado de manha cedo com os meus pais. Viemos na camioneta da carreira. Os autocarros da rodoviária eram vermelho e preto. Todos novinhos em folha e com bagageira no tejadilho, onde as malas e haveres ficavam seguras por uma rede, colocada por cima, reforçada por um cordão entrançado atado a uns corrimões de ferro. Ainda me lembro do automatismo da porta quando o autocarro parava e alguém saía e o motorista gritava: “O último a sair fecha a porta”. Certo, certo é que ele nunca arrancava com a porta aberta.

 

 Desde a paragem do autocarro até à casa da minha tia, andava-mos uns quinze minutos por um caminho de terra batida, ladeado por canas e pitas. Quase igual ao do ribeiro seco no verão, quando descia com os meus primos para a Praia do Pôr do Pau.

 

 Quando chegava-mos à casa era sempre uma festa. O meu pai nunca se esquecia de trazer peixe fresco e salgado. O salgado era “litão” que o meu tio adorava quando o meu pai o preparava para o almoço. Umas vezes em molho branco, outras com tomate. As sardinhas frescas eram assadas na brasa, as “amarelas” depois de demolhadas também eram assadas na brasa e depois regadas de azeite e alhos picados. Tudo acompanhado com uma saladinha da horta, vinho novo para os adultos e pirolitos para os mais novos que depois se gladiavam pelos carolos.


sinto-me: Dorminhoco


Orçamento 2011

 Finalmente o Orçamento do Estado para 2011 está integralmente disponível no site da Assembleia da República.

 

 Recomenda-se para as noites de insónia. Aconselho que depois de deglutido seja acompanhado da necessária ingestão de Prozac e Lexotan nas doses medicamente recomendadas.

 

  Sabe nuito bem para onde vai este Ministro das Finanças. Relembremos outro e como foi:

 

 


sinto-me: Ministro das Finanças


Viva o Orçamento

 Acreditamos em quêm?

 


sinto-me: 31 daarmada


Jornalinho Deprimente

 Economia

  “A maioria dos consumidores verá a sua conta do gás natural agravada já no final deste mês. Isto porque as autarquias já estão, desde 1 de Outubro, a cobrar uma taxa de ocupação do subsolo às distribuidoras de gás natural. Este encargo será automaticamente repassado para a factura dos seus clientes finais.” Para quem havia de ser? Ver +

 

 “As gasolineiras aumentaram os preços dos combustíveis esta semana. Desde o início do ano, os preços do litro da gasolina e do gasóleo em Portugal subiram 7% e 12%, respectivamente. E a tendência é para que os portugueses venham a pagar ainda mais pelos combustíveis. A previsível subida do IVA para 23% e a perda da ‘almofada' do euro pode levar a um agravamento adicional dos preços.” Acreditam? Ver +

 

 “O alerta é feito pela Anarec - Associação Nacional de Revendedores de Combustíveis - que não aceita que o Governo tenha decidido aumentar o Imposto sobre o Valor Acrescentado (IVA) do gás engarrafado para 23%, medida incluída no Orçamento de Estado para 2011. "Se este aumento se confirmar, a população do interior do país vai pagar o gás engarrafado à taxa máxima de IVA (23%), enquanto quem vive no litoral tem à disposição gás natural à taxa mínima (6%)", acusa a Associação.” Acho que vou para as beiras interiores. Ver +

 

 “O primeiro-ministro, José Sócrates, já tinha avisado que iria ser criada uma taxa sobre os bancos e vem agora confirmar aquilo que o Executivo designa como contribuição extraordinária: um novo imposto resultante da aplicação de uma taxa entre 0,01% e 0,05% sobre o seu passivo, depois de deduzido o valor dos fundos próprios de base e complementares e de subtraído o montante dos depósitos abrangidos pelo Fundo de Garantia de Depósitos. As receitas vão ajudar a reduzir o défice público. Este imposto é ridículo!!! 500 milhões euros x 0.01% =50000€.” Então e impostos sobre os lucros da banca?  Ver +

 

 “A generalidade dos trabalhadores por conta de outrem vai pagar IRS em 2012 quando entregar a declaração relativa aos rendimentos de 2011. Nalguns casos, as subidas no imposto podem ultrapassar os 26%.” Só 26%. Não podia ser mais? Ver +

 

 “Deixarão a taxa reduzida (actualmente 6%) produtos como "Leites achocolatados, aromatizados, vitaminados ou enriquecidos", "bebidas e sobremesas lácteas","refrigerantes, sumos e néctares de frutos ou de produtos hortícolas, incluindo os xaropes de sumos", "as bebidas concentradas de sumos e os produtos concentrados de sumos". As publicações ou livros de carácter obsceno ou pornográfico, como tal considerados na legislação sobre a matéria, e as obras encadernadas em peles, tecidos de seda ou semelhante deixam de ser tributados a 6%.” Mais um imposto para as casas de putas. Não se admite! Ver +

 

 Desporto

 

 “Sim, não há futebol! Um jogo aqui e ali, e pouco mais. As selecções tomam conta da atenção das pessoas e os campeonatos param. É tempo de procurar outras coisas.” Mais não seja para contrabalançar com os impostos sobre a pornografia. Ver +

 

 “O técnico avisa que não se pode entrar em campo a pensar que o trabalho está feito. Aliás, uma diferença cabal de mentalidade pode ser a morte do artista.” Como o penteado. Que é feito da risca ao meio do Paulo Bento? Ver +

 

 “Há outras assembleias de outros clubes em que houve pancadaria com muito menos pessoas. Há parlamentos por essa Europa fora em que acaba tudo à pancada.” A ver se a moda pega na aprovação do OE na Assembleia da Republica. Ver +

 

 Política

 

 “Nos primeiros seis meses do ano, a factura dos contratos de investimento de associação do Estado aos privados superou em 18,4% o que estava previsto, ao passo que o PIDDAC [Plano de Investimento e Despesas de Desenvolvimento da Administração Central] já deixa por cumprir cerca de 40% do total esperado.” Será que a crise é só para alguns? Ver +

 

 “Os políticos podem acumular a pensão de reforma relativa à actividade profissional com a subvenção vitalícia, uma pensão atribuída pelo Estado para o resto da vida.” Mãe quando crescer quero ser político. Ver +

 

 “A PJ de Aveiro concluiu a investigação do caso Face Oculta. No relatório, a PJ propõe que seja deduzida acusação formal contra «cerca de 30 pessoas».” Mais 30 casos para arquivar. Daqui a pouco não há espaço para o arquivo morto. Ver +

 

 “O PSD disse esta quarta-feira ter confirmado que nos últimos dias desapareceram contratos da base de dados do Governo sobre contratação pública e exigiu que o executivo preste explicações sobre isso com urgência.” Mistérios da informática. Ver +

 

 “À terceira foi de vez: Portugal conseguiu um lugar como membro não-permanente do Conselho de Segurança, a partir de Janeiro de 2011, depois de obter uma maioria de 150 votos dos outros países-membros das Nações Unidas. Mas só à terceira ronda, e depois de o Canadá retirar a sua candidatura.” Bom agora era enviar para lá o Sócrates como embaixador permanente. Era a maneira de nos vermos livres do cromo. Ver +

 

 “Quanto mais baixo o rendimento, maior a subida do IRS a pagar. A proposta de Orçamento do Estado que o Governo irá hoje apresentar no Parlamento faz com que a generalidade dos agregados familiares em Portugal passe a pagar mais impostos. Mas, ao nível do IRS, um impacto é consideravelmente mais alto à medida que o salário vai decrescendo.” Queriam o quê? Que os ricos pagassem a crise? Ver +

 

 Mundo

 

 “O mais jovem mineiro soterrado, Jimmy Sanchez, de 19 anos e natural da Bolívia, foi o quinto mineiro a chegar à superfície. Faltam resgatar outro 28 mineiros que estão retidos a 700 metros de profundidade no norte do Chile.” Acabaram todos salvos. Bom agora era amandar pelo buraco todo o governo. Pelo menos a crise baixava 700 metros. Ver +

 

 Sociedade

 

 “Os peixes foram os primeiros animais a ter relações sexuais por prazer. A descoberta sugere que o peixe vertebrado, conhecido como placodermo, foi a primeira espécie a reproduzir-se através da fertilização de óvulos dentro da fêmea, sendo o primeiro animal a praticar sexo penetrante, o que aconteceu há 400 milhões de anos.” Por enquanto o sexo ainda não paga imposto. A ver vamos.  Ver +

 

 “Milhares de peregrinos juntaram-se em Fátima, ontem, para a tradicional procissão das velas, mas o santuário ficou longe de encher. Esta é, aliás, uma das peregrinações de Outubro com menor afluência nos últimos anos.” É a crise. Ver +

 

 “Segundo a revista Esquire, Minka Kelly, de 30 anos, é a mulher mais sexy do mundo da actualidade.” Será que ela também uma espinhita de peixe? Ver +

 

 “Cristiano Ronaldo quer apostar numa vida a dois com Irina Shayk. Segundo o Correio da Manhã, que cita um amigo da modelo, o casal já vive junto em Madrid, depois do craque ter convidado a namorada a mudar-se para sua casa.” Ah ganda robalo! Ver +

 

 “O sexo pode ser uma «coisa boa» para esquecer a crise, mas a verdade é que, em momentos de grande instabilidade, o desejo também fica em défice e os casais tendem a não o praticar, segundo a sexóloga Marta Crawford.” É pá. Não deixem descambar para o negativismo. Vá toda a gente a quecar. Ver +

 

 “Uma escultura de um sapato de grande dimensão feito de tachos e panelas da autoria de Joana Vasconcelos foi hoje arrematada em leilão, em Londres, por 259 740 mil euros, superando a estimativa mais alta.”  Era dum sapato desses que precisavamos para dar uma patada num cu que eu sei. Só que por este preço aumentava o défice. Ver +

 

 História

 

 “A obra chama-se Reis Que Amaram como Rainhas, foi publicada recentemente pela editora Esfera dos Livros, e logo no índice o nome de 45 heróis masculinos que privaram com outros homens é bastante abrangente a nível mundial. Para que os leitores nacionais não se queixassem, o historiador, que vive nas Canárias, acrescentou alguns capítulos feitos especialmente para os portugueses, de modo a que não estivessem em minoria quanto aos protagonistas de outros países que esconderam a alegada faceta homossexual durante a governação ou a exuberante vida social nas cortes.” Não irão os paneleiros dos espanhóis chamar homossexuais ao raio que os parta da mãe deles. Ver +

 

 Passatempos

 

 A PEN do Orçamento não trazia quase nada. Enquanto aguardamos... um passatempo. Tentem descobrir como foram gastos os nossos impostos em 2010. Se descobrirem digam-me. Não passei do nível 1. Ver +


sinto-me: Jornalista da Ganza


Quinta-feira, 30 de Setembro de 2010
Desibernar

 Acordámos.

 

 Cada um no seu lado da cama. Nem demos por isso. Tinham passado trinta anos. Trinta anos a dormir juntos. E durante todo esse tempo sem sabermos, porque cada um tinha deslizado para o seu lado natural da cama, ficamos separados. O lençol há muito que estava puído pelas noites de sono e de insónias e demais quecas, que cada um encolheu e deu. Estava puído e curto o coitado. Mal dava para tapar os traumas de cada um quanto mais os pés. Havia noites em que tremíamos de frio por causa dos pés destapados. Já não sabíamos se com tantos tremores era frio ou medo.

 

 E assim ficamos perdidos a tremelicar por mais uns tempos. Perdidos por entre garrafas de whisky e gin, que se foram amontoando ao lado da cama. Cada uma com o seu percurso de dor e raiva. Os enganos e os estragos, as amarguras e os desgostos, misturavam-se com elas. Era esse o nosso destino:

 

 ! f o d e r – m o – n o s    um ao outro !

 

 

 (com todos os espaços e negros traçados) e tentando o mais rapidamente possível “foder-mo-nos”.

 

 Entretanto os anos foram passando e quanto mais passavam menos conseguíamos o nosso objectivo. Começamos a ficar gastos, velhos e usados. Cada um mais perdido do que o outro. Sabia-mos isso mas também já não importava. Continuávamos cá para curvas e cada vez mais maliciosos. Que se foda! – pensávamos nós.

 

 Ainda mais tarde começaram outros jogos. Eram jogos de raiva. Pequenas partidas que pregávamos um ao outro e regadas de malvadez, fel e qb de vaidade. Eram só para chatear. Coisas de velhos. Mas que davam gozo... davam.

 

 Algumas transformaram-se mesmo em profunda amizade. “De amigos” como costumamos dizer. Mas certo é que, quando estávamos na merda, olhavamos um para o outro e não contávamos as nossas “coisas”. Pouco falávamos. Sempre que um precisava de ajuda - sempre  mais da minha parte - recorríamos ao telefone. Era mais facil do que falar cara-a-cara.

 

 Eu sempre fui um pulha. Nem sempre correspondi com a minha parte. Sempre queria o “meu-meu” e muitas vezes esqueci que tu também precisavas do “teu-teu”.

 

 Esqueci-me  de te contar coisas. Falar delas apenas. Sei que usei muitas vezes os sentimentos de “outros” - muitas vezes – infelizmente fazendo com que parecessem meus. Enfim.

 

 Mas um dia deu-nos uma na galheta. Compramos um lençol novo. Fizeste a cama. Fazia muito tempo que não dormia-mos uma noite de assentada. Agarrados um ao outro como não fazíamos havia muito tempo. Benditos lençóis novos.

 

 Acordámos com os pés tapados.


sinto-me: Acordado


Terça-feira, 29 de Junho de 2010
Saramago morreu

 Uma amiga minha fez-me lembrar que Saramago morreu.

 

 Enviou-me este poema:

 

 "Eu sou uma das que se importa, Saramago.
  Eu sou uma das que ficou só.
 
  Quando você estava,
  Você estava em pé
  falando
  construindo
  desconstruindo
  sempre
  entre nós
  os que ficam sempre sós.
 
  Agora que você
  vai virar cinza
  eu quero que saiba que eu me importo
  que eu estou meio vazia
  e que aquela segurança de que alguém iria dizer alguma
  coisa importante
  definitiva
  está cada vez mais tênue
  porque há cada vez menos gente que se importa.
 
  José Saramago
  esse seu amor pelo amor
  esse seu amor pela vida
  e por todos nós que sofremos
  e que não temos ninguém
  na hora da dor
  fez casa em mim
  uma casa que agora vai ficar
  assim
  só na saudade.
 
  Você, cinzas.
  Suas palavras, brasas.
 
  Eu?
 
  Assopro.
  Assopro.
  Assopro, porque me importo."
 
  Ana Carolina

 


sinto-me: Morto


O Urso e a Primavera

 Quem me conhece minimamente sabe que...

 

 De vez em quando hiberno. Feito “urso”.

 

 Na primeira “primavera” acordo. Não sei bem feito o quê.

 

 Mas o bom desta merda toda é o bocejo. E o espreguiçar... hum... nem vos digo.

 

 


sinto-me: Urso a hibernar


Domingo, 9 de Maio de 2010
A Carta Amarela (18)

 Passei a perna no velho e o encontro ficou agendado para o dia seguinte. Anotei na agenda: “Reunir com o cromo quando me der na real gana e puder.”. Foi mesmo isso que ele disse. Não foi? E eu? Tenho lá cabeça para aturar chefes às sextas-feiras. Chega de pensar em trabalho por hoje. Adiante.

 

  Voltei ao pé por causa do carro avariado. Vou à oficina buscar o carro? Hoje não. Doe-me a barriga das pernas e o multibanco parece que anda zangado comigo. Não me dá troco. Logo vou.

 

  Enquanto caminhava voltaram á minha cabeça a quantidade de papéis amarelos que passaram pela minha vida. Uns eram burocráticos, outros nem tinham história prática de vida, outros então eram apenas dessa cor. Todos amarelos. Passaram por mim quase sem dar por eles. Devagar mas ao mesmo tempo numa rapidez constante. Uns foram ficando esquecidos, outros não, como as tuas cartas amarelas. Lembro-me de um em especial. Esse até foi chato. Mas porra, a minha vida é isso mesmo. Chata.

 

  Mas este foi realmente chato quando ouvi:

 

  - Preso 275. Cela 324, terceiro piso. – e assinei. O raio do papel era amarelo.

 

  Foi em 1976. Depois de uma manifestação do MRPP, partido do qual sou militante e fui preso pelo  COPCON. Eu e mais 26 camaradas. Fomos presos e imaginem por quê? Apenas por termos queimado umas quantas faixas de pano de um partido adversário. Por acaso eram do PCP, mas podiam ser de outra qualquer força política. Nesse dia eu tinha eu 16 anos.

 

  Não sei se por causa da idade ou por estar de barriga vazia, fiquei de peito inchado. Fazia parte dos primeiros presos políticos detidos em Portugal após a “Revolução dos Cravos”. Enfiaram-me no presídio militar de Santarém. A mim e mais uns quinhentos. Entre eles estava o actual Presidente da Comissão Europeia – o Durão Barroso. Ainda hoje de vez em quando incho. Não só por essa mas também por outras razões.

 

  Foi um inicio de viagem atribulado. Primeiro por ter de aturar o Calquinhas e o Manel Preto que não se calavam. O Calquinhas porque é pequenino e grita que se farta para se fazer ouvir pelas pessoas normais. E o Manel Preto porque não tinha comido as sopas de café com leite, como fazia todas as noites, antes de ir ao mar - era pescador numa traineira chamada “Nossa Senhora da Piedade”. Raio de nome para baptizar um barco.

 

  Foi atribulada também por sermos muitos e haver dificuldades de transporte. Só faltou os cromos pedirem-nos as bicicletas emprestadas. Mas lá resolveram a coisa e atiraram-nos, assim tipo gado camelo, para dentro de uma “berlier” e nessa mesma noite despejaram-nos na garagem do quartel de Faro. Fiquei menos de peito inchado ai por volta das cinco da manhã quando um camarada nosso que lá estava a assentar praça nos levou ás escondidas uns quantos pães de dezassete. Água, havia na torneira. 


sinto-me: na tropa


Hoje é Dia da Bola

 É dia de esquecer crises e vendavais. É o dia de todas as decisões na última jornada do campeonato.

 

 Parabéns ao Portimonense que regressa à primeira liga e volta a jogar com o Olhanense. Não acontecia o Algarve ter duas equipas na 1.ª divisão desde a época de 1989/90. Passaram 20 anos mas pelo menos no futebol algarvio a crise parece estar a passar.

 

 Cada um que torça por quem quiser. Eu como já sabem sou Benfica.

 

 Mas pelo sim pelo não sigam o conselho do Luis Afonso...


sinto-me: Benfica


Sábado, 8 de Maio de 2010
A Ilha da Fuzeta

 Como tinha prometido a Secretária de Estado do Ambiente começaram a ser demolidas as casas que restaram na ilha da Fuzeta depois dos temporais de inverno.

  

 

  

 Só espero que estes políticos de gabinete não comecem com invenções malucas como sempre fazem. Que não decidam voltar a fechar a barra natural que o mar abriu ou que a pretendam consolidar com metodologias que possam por em causa a zona de dunas a nascente.

 

 Pelo que deu para ver pelos novos caís de embarque propostos pelo Polis, fico com muitas dúvidas. Cadé as coberturas para o sol do verão? Ou vão dar rendimento extra às lojas dos chineses a vender chapéus de forro duplo ou os velhotes morrem de insolação.

 

 


sinto-me: vendedor de chapéus


A Ilha da Fuzeta, a Praia de Faro e também o Farol

 Ainda sobre os recentes vendavais que assolaram as ilhas barreira algumas fotos da Ilha do Farol (Cabo de Santa Maria).

 

 Sem comentários...

 


sinto-me: pequenino


Palavrinhas quedadas no uso (19)

 As palavrinhas estiveram meio ausentes. Sabem como é, esta coisa da crise e o vulcão na Islândia e mais os roubos de gravadores e electrodomésticos na Assembleia da República criam graves problemas de comunicação. Felizmente estamos de volta. Então vamos lá enviar mais umas palavrinhas quedadas no uso para usufruto dos nossos queridos e amados deputados. Pode ser que os ajude a ultrapassar a nova crise.

 

 Hoje (Ca) não confundir com cã (cabelo branco):

 Cabano

 1. Cujos chifres são horizontais ou voltados para baixo.

 2. Diz-se do cavalo que não fita as orelhas.

 3. Cesto cabaneiro.

 (Parece isto mesmo. Em que o Governo se tornou nestes últimos dias. Não sei para onde têm andado com os cornos virados e muito menos se vêm as orelhas uns dos outros. O Sócrates diz uma coisa, o ministro das finanças outra e o das obras públicas nem se fala coitado (ainda hoje estava todo engasgado na TV) depois da reunião de ontem em Bruxelas, quando o nosso querido e amado primeiro-ministro finalmente anunciou que vai travar os investimentos megalómanos que ele tinha anunciado faz 3 dias)

 Cabeçudo

 1. Que ou quem tem cabeça grande.

 2. Que ou quem gosta de teimar. = casmurro, teimoso

 3. Figura antropomórfica que se caracteriza pela sua enorme cabeça feita geralmente de pasta de papel, que é usada como máscara. [Os cabeçudos distinguem-se dos gigantones sobretudo pela sua pequena estatura e pelo seu carácter!caráter folião.]

 (é o que o Sócrates mais tem parecido nestes últimos meses. Foi à Ovibeja e estava tudo bem. Foi a Bruxelas e puxaram-lhe das orelhas. Mais valia ter um dos de papel a governar a merda deste país)

 Cacaria

 Acervo de cacos.

 

 (não confundir com monte de merda. Mas pelo caminho que isto leva ainda vira um monte de cacos e não vale a merda dum corno)

 Caceta

 1. Vaso fundo crivado.

 2. Concha de sopa.

 

 (Ponham os olhos na Grécia. Eles já estão a usar os cacetes na rua. Nós aqui por enquanto só a concha da sopa porque o dinheiro não dá para comprar carne. Mas lá chegaremos)

 Cachar

 1. Ocultar, tapar.

 2. Arrotear (terreno).

 

 (e tudo isto porque nos têm ocultado a realidade. Qualquer dia começa a população a “cachar” os políticos e depois é que eu quero ver como é que isto fica)


sinto-me: como que gamado do gravador


Segunda-feira, 3 de Maio de 2010
Os Desígnios de Deus

  Faz semanas, podem não acreditar mas é verdade, que ando meio marado da cabeça por causa de dois problemas. Problemas que me atormentaram todos os santos dias e eram:

 

 Será que o Olhanense conseguirá a manutenção? Será que o Benfica será campeão?

 

 Quem me conhece sabe que sou de Olhão (nato e criado) por quem joguei nos escalões de formação, mas também sou adepto do Benfica por quem sofro, mas não com o mesmo fervor com que acompanho o Glorioso Olhanense. Por isto mesmo esta semana andava “descabido” porque o Olhanense jogava a sua ultima cartada na manutenção e porque o Benfica poderia, ganhando ao dragão ser campeão. Mas não era só eu. Nas avenidas, ruas e vielas da cidade de Olhão sentia-se um ar pesado. Não era sueste não. Era ansiedade.

 

 O que iria acontecer ninguém sabia. Até os cães que deambulavam pelas vielas eram poucos. Os que uivaram quando os sinos da igreja trinaram este domingo, chamando à missa, nem se ouviram. Calados. Ficaram silenciosos até à hora do jogo. Estávamos no dia dois de Maio.

Nas costas de quem andava pelas ruas, pesava muito mais do que o ar pesado. Pesava a alma do povo do Olhanense. Chamem-lhe ansiedade, outra coisa qualquer, ou o que quiserem. Mas que pesava... pesava. A mim pesava. E pesava porque o ano passado muitos me diziam: “Para quê tanta festa? O Olhanense não dura mais de um ano na primeira divisão!” Ao que eu respondia: “Nem que seja só um meu já lá estamos!”

 

 Lembrei-me dos anos 70. Da nossa equipa:

  

                             (descubram o anjinho na foto)

 

 Será este “cromo”?

 

 

 Por isso decidi não ir ao José Arcanjo. Montei a feira. Na TV o Sporting, na net (em duas janelas) o Benfica e o Braga. Na rádio o Olhanense. Existem sensações de amores e desamores que - quer queiram, quer não - têm de ser vividas sozinhos e em privado. Esta para mim era uma delas.

 

 Permitam que vos confesse que “sou ateu graças a Deus” e ainda bem que assim é. Por isso não preciso, nem de desculpas, nem de desígnios dos deuses para o que se passa à minha volta. Por isso mesmo e a um jogo do final do campeonato, mesmo com visita do Papa anunciada e tudo, o meu milagre pessoal já aconteceu. O Olhanense vai estar mais um ano na Primeira Liga e conseguiu ainda outro, porque ao vencer o Leixões permitiu que o clube da sua terra irmã (Setúbal) também lá esteja no próximo ano.

 

 Lembram-se da faixa que sempre está presente no José Arcanjo:

 

 

      (os emplastros só estão com o Djalmir porque são meus amigos)

 

 Se calhar por isso “Jesus” perdoou nas Antas, mas o artilheiro do Olhanense não. Ao “cromo” que jogou no Olhanense nos anos 70 – porque sou do Benfica – desejo as melhores felicidades, mas não podia de deixar de lembrar o Djalmir.

 

 Agarrei no telemóvel e liguei para ele:

 

 - Oi Djalmir, tudo bem?

 - Quem é?

 - Meu... é o Henrique... o do Olhanense.net, que te entrevistou o ano passado!

 - Oi cara! Tudo bem?

 - Eu estou e tu?

 - Olha estou deitado, com dores, devido às pancadas que me deram durante o jogo!

 

 (Pensei eu: se fosse comigo metia baixa por dois meses e ia era pró Brasil)

 

 - Calculo... mas já deves estar a pensar na festa do próximo Domingo, e passam-te as dores. Mas diz lá como foi marcar aquele golo?

 - Foi um sentimento de alegria e felicidade muito grande. Por mim mim e também para os adeptos. Levei metade do campeonato a ver os jogos na bancada por causa da lesão, como sabes, a torcer mas a não poder ajudar a equipa, mas ao mesmo tempo sabia que tínhamos capacidade para ficar na primeira liga.

 

 (Acredito que a força e o querer demonstram-se nestas pequenas frases. Por isso mesmo lembrei-me da entrevista que lhe fiz o ano passado em que ele dizia: “Sou filho de pescador mas eu só comi picanha!”)

 

 - E... ouve lá. Continuas na mesma? Só comes picanha? Aqui na terra dos pescadores?

 - Não! Cada vez como mais peixe. O peixe de Olhão é muito saboroso. As minhas filhas adoram peixe e cada vez como mais eu também. Dizem que peixe não puxa carroça. Mentira. No meu caso deu golo e manutenção.

 

Não sei porquê, mas depois desta pequena conversa com ele lembrei-me daquela frase onde se diz que “Deus escreve direito por linhas tortas”. Vá-se lá saber porquê. Uma coisa vos posso dizer e é como um conselho de amigo. Não se confessem nunca, mas nunca, ao Djalmir. Sabem porquê?

 

 “O DJALMIR NÃO PERDOA”.

 

 E assim se perdem os “Padres-nosso e as Avés Marias”.

 

 Portem-se mal.


sinto-me: olhanense / benfica


Terça-feira, 27 de Abril de 2010
Que raio de país é este?

 Hoje levantei-me e fui trabalhar. Amanhã pergunto-me: será que vou? Os mercados especulativos caíram-nos em cima. Feitos crise. Depredadores. Ainda nos comem. Estou com medo.

 

 Dizem uns que - como o cromo que temos como ministro das finanças – que a causa é a crise internacional. Que estamos melhor protegidos do que os outros e a recuperar. Mas ao mesmo tempo nem ele sabe como é que o défice aumenta. Falta de dados? Falta de talento? Terá feito os trabalhos de casa? Ele até é professor universitário. Coitados dos alunos que o apanharem quando sair do governo. Enfim. De maus políticos está o inferno cheio e até o mesmíssimo Diabo já duvida se Deus existe.

 

 Por falar em diabos políticos. Existem outros que dizem que não governam por que existe demasiada oposição dos partidos oposicionistas (porra raio de retórica). Falo concretamente do cromo que temos como primeiro-ministro. Meteu-se na política ainda era um “puto de calções” e logo aí, segundo rezam as crónicas, começou a roubar chupa-chupas nos comícios, enquanto ouvia os discursos lidos. Nesse tempo não havia teleponto. E chupando, mais tarde, mesmo ainda de ser licenciado, já “fazia casas” e ao mesmo tempo era deputado. Na minha terra “fazer casas” é gamar, se ele trabalhava no sector da construção ou dos “serviços” isso não sei. Mas que essas casas até fazem os emigrantes mais poucochinhos vomitar para o lado fazem. Mais tarde tirou um curso de engenheiro por correspondência aos fins de semna. Deve ter sido o primeiro a usufruir do programa “Novas Oportunidades”, ao mesmo tempo que como ecologista e, não sei o que ele tinha contra garças e gaivotas, mas armou a merda que se viu no “FreeShop”. Até não lhe muito segundo parece, uns familiares chegados ficaram com os trocos. Depois arma a cena de querer comprar uma TV para só emitir programas de politiquice pimba. Mas aí não o podemos recriminar, já lhe tinha saído o euromilhões.

 

 Mas falando do presente, ele como primeiro-ministro continua a foder-nos e a todos (desculpem mas as palavras são mesmo assim, sejam elas ditas ou escritas... pá) continua a foder-nos, dizia eu e a não perceber em que raio de país vive. Argumenta (ele) não se sabe porquê que habitamos na “Portugalândia” como se esta merda fosse a porra dum parque temático. Confesso que às vezes quase fico sem paciência. E ainda diz: Eu não sou o culpado! O culpado é o Coelho! Francamente às vezes já não percebo nada deste filme em 3D.

 

 Mas existem outros. O nosso querido presidente não está isento de culpas. Não. No tempo em que milhões (dos ainda contos) caiam todos os dias para nos ajudar, a mim mais me pareceu que caiam era pelo autoclismo abaixo. O que se fez com tanto dinheiro? Auto-estradas para modernizar o país e cursos de formação profissional para aumentar a produção. A utopia sempre reinou neste pais ou não fossemos o Olimpo dos poetas. Resultado. Os empreiteiros duplicaram o custo das obras, com vantagem nos impostos arrecadados com a compra de Ferraris, enquanto na “formação” até os sindicalistas (por acaso do PS) “ganhavam” novas valências e subiam na vida.

 

 Isso fez-me pensar. Mas em raio de país vivemos? Um assim tipo “bar de alterne”? Ora governas tu, ora governo eu, mas sempre com a mesma música? Vocês dirão.

 

 Eu confesso que ainda estou confuso com tantos milhões que me passaram por cima da cabeça. Não sei. Sei sim que alteraram leis, decretos-lei, normativas, até concordatas e imaginem até normalizaram as sebentas nas escolas e para quê? Só para beneficio deles próprios e dos seus interesses, esquecendo o que realmente os devia motivar a eles políticos: O bem da causa pública! E a prova aí está. Um país a saque.

 

 Não entendo como isto chegou a este ponto, mas por exemplo o caso “Bragaparque” esclarece muita coisa. Segundo parece um edil consegue prova na primeira instância de um tribunal ter sido vítima de uma tentativa de suborno de algumas centenas de milhares de euros. O director da empresa que subornava, achado como culpado, é apenas multado em qualquer coisa como 5.000€. Mesmo assim recorre da sentença. Na segunda instância acaba absolvido, pelo motivo do autarca em causa não gerir directamente o serviço que se queria a subornar pelo empreiteiro. O mentor do suborno acaba ilibado e o denunciante vê-se na iminência de ainda lhe ter de lhe pagar uma indemnização por difamação. Isto tudo por causa de umas alteraçõezinhas que foram feitas às leis penais aquando da maioria do PS.

 

 Mas em que raio de país vivemos? E fez-me pensar.

 

 Por exemplo: se uma criança denunciar um pedófilo dirigindo-se directamente à polícia. Para provar que realmente foi abusada, terá de se sujeitar a ser novamente sodomizada pelo pedófilo na presença de um detective e a ser filmada pelas câmaras de uma qualquer das TV’s generalistas para constituir prova, para não haver a hipótese de ter de ressarcir o criminoso em caso de dúvida? Acreditem mas já ponho tudo em causa e mesmo assim questiono a possibilidade do prevaricador ser preso por alguns juízes. Quase que aposto e, como a maioria dos putos são uma cambada de tesos o estado até paga. Isto é impressão minha ou ocorreu recentemente?

 

 E lá vem a porra da questão outra vez: Mas em que raio de país vivemos nós?

 

 No país em que temos que nos prostrar de “cu para o ar” todos os dias e deixar que os políticos nos enrrabem? É neste país que vivemos?

 

 E é por causa da merda em que alguns transformaram este país que, cada vez mais digo que não sou apartidário, não, não sou (quem me conhece sabe o que digo), sou sim cada vez mais é apolítico. E sou apolítico com a certeza que um dia tudo teremos de começar tudo de novo.

Mas uma coisa é certa. De cócoras e de calças na mão... não me vão ver, nem que venham mil Sócrates.

 


sinto-me: enrrabado


Quinta-feira, 22 de Abril de 2010
Desaparecido

 Como devem ter reparado andei assim meio que desaparecido feito fantasma.

 

 Prometo voltar este fim de semana com novos post's.

 

 PS: Só uma deixa pequenina: a "carta amarela" vai ser finalmente aberta.

 

 

Outra pergunta: Quem raio é a bruxa? Se alguem souber diga.


sinto-me: Fantasminha


Domingo, 14 de Março de 2010
O inimigo do Sócrates

 Na crónica de José Diogo Quintela - dos Gatos Fedorentos - publicada hoje há uma máxima. Afinal quem é o inimigo do Sócrates tanto ele apregoa, até nos congressos?

Parafraseando (eu) Almeida Santos que acha que tudo não passa duma cabala, o Diogo manda mais uma acha para a fogueira e escreve:
 “Malandro do José Sócrates que não foi amigo do José Sócrates. Se ao menos José Sócrates tivesse conversado com José Sócrates... Um telefonema para José Sócrates. Ou através de Armando Vara. Claro que o mais provável era José Sócrates não acreditar em José Sócrates. Afinal, conhece bem a peça.

 È o que dá metermo-nos com “putos”.

 


sinto-me: puto


Domingo, 7 de Março de 2010
A ilha da Fuzeta e também a praia de Faro

 Faz uns anos apareceu um pequeno movimento do qual eu fazia parte. Chamava-se “ Avisar Toda a Gente”. Entretanto inactivo.

 

 Mas lembro que nos Boletins por nós editados e em alguns dos debates e conferências públicas que promovemos, chamava-mos a atenção para a possibilidade de as antigas barras da Fuzeta e de Faro reabrirem naturalmente. Fomos apelidados pelos responsáveis políticos, incluindo o actual presidente da Câmara Municipal de Olhão, de sermos “alarmistas”
 Dizíamos nós e também alguns técnicos da Universidade do Algarve, por nós contactados e que nos davam apoio técnico que, mais tarde ou mais cedo o mar iria recuperar o que tinha perdido. De forma natural no caso da ilha da Fuzeta, onde a barra velha assoreou por si só e abriu outra mais para sueste em frente à Torre D’Aires, mas igualmente a antiga “Barrinha de Faro” - esta fechada artificialmente - aquando da construção da nova barra Faro/Olhão e que não tardaria muito a começar a dar de si e a tapar naturalmente, mas que agora o mar tenta recuperar.
 Passaram anos e esquecemos a palavra “alarmistas”. Infelizmente a natureza acaba por nos dar razão. Não porque gostemos do sucedido (não) mas sim porque o que nos custa engolir é que sejam os mesmos, que nos contestaram e prosseguiram com a aprovação de construções na linha de água -como bem exemplifica o “Somos Olhão” - sejam os mesmos que vêem agora dizer de que nada sabiam e requerer ajuda para colmatar problemas que eles próprios criaram. Custa... custa muito.
 Com verdades ou verdadinhas - mentiras ou mentirinhas - vivemos todo o dia-a-dia. Só espero é que no caso concreto alguém tenha a coragem de assumir a sua responsabilidade.

 A ver vamos.


sinto-me: ecologista maluco


Sexta-feira, 5 de Março de 2010
O Assalto

 “No outro dia. Tava eu a abrir a porta de casa e né que vierem dois bandidos com facas da cozinha na mão e puseram-se memo os dois do me lado. Aí.

 
 Aí... uma treta, pensei eu:
 
 - Atão e querem lá ver que me vão arroubar mesmo ó pé da porta da casa? Vão na vão...pera aí que já vos digo!
 
 Enchi o peto e voltei-me pós gajos de mangas arregaçadas. Nem percisei dos cães. Cerrei os punhos dos dedos da mão com unhas e tudo e amandei-me pós gajos com a minha cara de mau - tava memo numa de ninja.
 
 E né que antes que eu dissesse alguma coisa o raio dos malandros ficarem cheios de cagufo e abalaram rua fora. Pensei cá pa mim:
 
 - Na levarem nem uma ameixa!”
 
 Esta história macaca é dedicada ao Eng.º Francisco Leal porque na outra semana - na crónica que publica no “Correio da Manhã” - agradecia à polícia por a criminalidade ter diminuído em Olhão.
 
 Também é dedicada à minha vizinha Delfina que mora na casa colada à minha e porque faz uns dias foi assaltada. Eram dez e meia da manhã.

sinto-me: super-herói


Quarta-feira, 3 de Março de 2010
Viva o Sócrates e a Ética, viva Portugal e o Eixo da Terra

 Continuamos todos assim que meio inebriados com as audições da Comissão de Ética no Parlamento. Não que estas tretas parlamentares não tenham a sua razão de existir, mas sim pelos momentos de gozo que nos dão no final da tarde, depois de um dia de trabalho, ligar para o “Canal Parlamento” e ver como muitos, como algumas colegas minhas, não fazem a ponta de um corno durante todo o dia.

 

 Mas enfim, de parlamentares e “outras” todos temos um pouco. Por isso “´étiquem bem” mais que não seja a Manuela Moura Guedes.

 

 Por outro lado, não pelas melhores razões (e já explico porquê) há vezes em que gosto de ser português. A primeira não boa razão foi o facto da tragédia da Madeira. A segunda foi por ter de admitir a forma como os responsáveis da Região Autónoma souberam lidar com a situação. Nem quero falar do rústico presidente da câmara do Funchal (esclareço já e para que não restem duvidas que para mim todos os edis presidentes me parecem rústicos – uns mais que outros – mas isso são questões minhas e daí o aparte) mas atendendo ao trabalho efectuado na Madeira sou forçado a reconhecer que foi notável na forma como actuaram e agiram rapidamente no terreno.
  Já perceberam que não morro de amores pelo Alberto João mas, Deus meu, só pela forma como ele teve de engolir o Sócrates nas reuniões conjuntas havidas, defendendo a sua gente. Porra, digam lá. Merecia uma medalha ou não?
 Com isto tudo quem ganhou foi o Sócrates. Passamos a ver catástrofes a cada 10 segundos nos noticiários e esquecemos os debates na Comissão de Ética. Vamos lá ver é se ele não acaba por ser chamado ao Parlamento por causa de um inquérito. Seria o primeiro, Primeiro a ter de se sujeitar a tal. Tal como a ilha da Fuzeta que também não se soube ordenar e de um dia para o outro ficou com uma nova barra. Não entenderam o trocadilho? Pobres almas... Um novo andar para o Sócrates... Ah já perceberam... santa paciência.
 Parece também que o eixo da Terra mudou para aí coisa como 8 centímetros. Pode não parecer nada, mas a verdade é que é muito mais do que a economia portuguesa recuperou nos últimos 2 anos. Grande Terra. Mesmo sem fazer parte da zona euro parece que já tem PEC maior que o nosso.
  A não ser que o eixo não se tenha movido por causa do terramoto no Chile. Querem ver que é por causa das eleições no PSD. È que estes candidatos abalam tudo. Imaginem que até a minha confiança nas soluções politicas para este país. Enfim cada qual merece o terramoto que semeia.

 Enfim viva o PS e demais Partidos! Viva o Sócrates e mais três Marias Manuelas. Viva a Madeira e a ilha da Fuzeta. Eu disse ilha da Fuzeta? Ainda existe? Se existir prometo que falo dela na minha próxima crónica.

 


sinto-me: edil


Quinta-feira, 25 de Fevereiro de 2010
A Carta Amarela (17)

 Feito carta andei eu o dia todo. Sem a tua. Só espero que o gato não mije a carta toda. Quando chegar a casa logo vejo. Entretanto pedi mais meio para o caminho e finalmente cheguei ao trabalho.

 
  “Finalmente dignou-se aparecer” - pensou o meu chefe quando me viu.
 
 - Quando puder gostava de falar consigo no meu gabinete. - Esta ouvi.
 
 - Claro chefe já aí estou, não tarda nada.
 
 Foda-se. Doía-me a barriga das pernas e a cabeça não parava de latejar.Fui á casa de banho. Lavei a cara. Melhorou a cabeça as pernas não. Doíam-me. Sentei-me um bocado na secretária. Liguei o computador. Abri o mail, como faço todos os dias  e lembrei-me da pasta com o teu nome que guardo em “rascunhos”. Lá escondo os teus mails. Abri um ao acaso:
 
 “Esta cartinha vai sair rápida. È domingo. Estou sem cartucho colorido na impressora. Perdi as cores, mas os traços a preto-e-branco consegui recuperar. Estou sozinha.
 
 Depois das duas horas contigo estou repleta. Trabalhei a custo hoje. Fiquei escondendo tanto amor. Fico sorrindo e lembrando coisas, ora sorrio, ora suspiro. O Rafael, o meu colega de trabalho, até me diz: “Não dá para aguentar? Pára de pensar no gajo, minha.” Fá-lo de um modo que quase me mata a rir e pelo facto das minhas colegas não perceberem nada. Ainda bem.
 
 Pensei na história continuada... pensei que vamos ter de inserir dados de prazer na minha memória. Estou vazia. Fico pensando... vou inventar algo. Mas as coisas de sexo de que me lembro, lembram mágoa e tristeza. Acabo a deixar para lá. O meu prazer continuas a ser tu. Lembro-me um dia em que eu estava longe e me disseste – assim de repente – que ias pelo meio das minhas pernas. Quase morri de emoção.
 
 Hoje sentei-me, puxei dum papel e comecei a escrever esta carta. Não me vieram palavras. Apenas a sensação quando te li pela primeira vez. Então fiz o desenho. Não dá para mandar por mail. È proibido enviar esse tipo de coisas. Eu sei que ninguém controla, mas, por via de duvidas... E afinal... temos todo o tempo do mundo. È cedo ainda, mas estou cansada. Acho que só vou colocar esta carta no correio na quinta-feira. Sei lá, vamos ver.
 
 Ai, lembrei-me... Quinta-feira... deves estar a receber o meu (nosso) presente de aniversário. Então quando isso chegar, já deves estar melhor da dor de cabeça, espero. Só precisas de deitar a cabeça no travesseiro – parar de fumar e diminuir gradativamente os copos e dormir mais cedo – que pronto. Nunca mais sentes nada.
 
 Meu amor, estou quase a dormir. Sabes que te amo, sabes? Nada de pragas para o meu lado. Combinado?
 
 Sem mais... beijinhos, estou sem tempo para o mail e o saldo no telemóvel acabou.
 
Bjs.
 
Depois falamos.”
 
(entre “aspas” e itálico, colaboração de Ana Carolina)

sinto-me: telemovel descarregado


Quarta-feira, 24 de Fevereiro de 2010
A Praia do Pôr do Pau (3)

 A minha tia Custódia na realidade não era bem minha tia. Era sim tia da minha mãe. Ou seja era minha tia-avó.

 
 Enviúvo muito nova e com dois meninos de colo. Os meus primos. Crio-os sozinha lá de cima dos seus dois metros de altura. Como? Só ela sabe. Talvez por isso quando eu apareci lá na sua casa já a visse curvada. Não recordo se pela altura ou se pelo peso de ter de alancar com os filhos toda uma vida.
 
 O meu tio, foi “adoptado” quando os filhos já estavam criados. Nunca soube como ela o conheceu nem como juntaram trapos. Recordo sim que ele era de Setúbal e carpinteiro. Media aproximadamente um metro e sessenta. Vê-los lado a lado e de mão dada era caricato. Ela alta e magra, ele pequenino, gordinho e com ar bonacheirão. Ainda por cima faltavam-lhe dois dedos na mão esquerda. Tinham sido decepados por uma serra num acidente na oficina de carpintaria. Mas nem por isso a minha tia deixou de engraçar e casar com ele. Os dois em segundas núpcias. Sim. O meu tio também era viúvo.
 
 Quando caminhavam os dois (enamorados) lado a lado, de mãos dadas pelos velhos caminhos de terra batida no monte, a sobra projectada no chão parecia um “b” pequeno. Pequeno na forma desenhada pelos dois, mas igualmente grande pela forma como se gostavam e inter-ajudavam um ao outro a criar os filhos dos seus primeiros casamentos. Independentemente dos pesos e das alturas irradiavam apenas felicidade e alegria. Era assim que eu via os meus tios. Desiguais mas enamorados.
 
 Quando casaram foram morar para Setúbal. Só os via quando faziam férias de verão na antiga casa da minha tia no Algarve. Outras vezes quando nas minhas férias grandes da escola eu as ia passar a Setúbal. A oficina de carpintaria do meu tio confinava paredes meias com a fábrica da Wolkswagen. Ficava num pequeno largo de várias casas. Num dos topos ficava a oficina e mesmo em frente era a casa dos meus tios.
 

 Lembro-me de sempre que lá ia não pregar olho durante a noite nos primeiros dias. Tudo por causa dum raio de relógio de pêndulo que eles tinham que, teimava sempre em dar horas, e meias e também os quartos com um bater de gonzo. Para já não falar do tiquetaque irritante que fazia a cada segundo que passava. Passava-me eu também. Até que me habituava.


sinto-me: tiquetaque


Terça-feira, 23 de Fevereiro de 2010
A Carta Amarela (16)

 O segundo papel amarelo que se cruzou na minha vida foi o diploma do primeiro ciclo. Deu-me um gozo do caraças e por duas razões:

 
 Primeiro foi por despachar aquela merda do exame num ápice e depois porque havia duas prendas para os melhores alunos. Ainda hoje me custa acreditar mas eram dois livros. Um de desenho e o outro sobre religião. A mim deram-me um de técnica de desenho e pintura. Ao meu colega um livro sobre religião e moral. Imaginam?
 
 Ainda hoje não sei qual dos dois ficou pior servido. Se eu que para desenho não tinha arte na altura e ainda hoje menos e, para falar verdade, estou-me pura e simplesmente a cagar para essa merda, deram-me o livro de técnica de desenho e, ao meu colega deram uma carrada de religião e moral num volume de quase duzentas e cinquenta páginas.
 
 Que proveito poderíamos tirar disso? Eu sou o que vocês sabem. Ele acabou por se tornar o maior putanheiro que eu já conheci até hoje, nesta desgraçada e putativa coisa a que eu chamo vida.
 
 Se calhar a ele o livro deu-lhe mais proveito. Aprendeu os segredos da confissão e o caminho para a lavagem rápida da sua alma. Quem sabe. Ele nunca me pareceu muito preocupado, nem com as putas, nem com a vida que levava. Eu pelo contrário cada vez que partia a ponta dum lápis. Foda-se andava semanas chateado. Acho que começaram aí os meus desencontros com Deus.
 
 Que Deus o perdoe. A mim não, ao putanheiro entenda-se, porque a mim não Ele não me diz nada. Rui era esse o nome do “beatificado” no dia do exame, agora recordo e faz anos que não sei nada dele. Até era um gajo porreiro e divertido. Deve ter casado com uma gaja qualquer e assentou. Que lhe faça bom proveito.
 

 Esse foi o segundo papel amarelo na minha vida - com livro incluído – e diga-se de passagem também não me serviu lá grande coisa. Depois desse passaram muitos outros mais. Incluindo o teu. Feito carta.


sinto-me: putanheiro


Palavrinhas Quedadas no Uso (18)

 O Sócrates passou ao ataque. Reuniu tropas e avança em todas as frentes. Na entrevista com o Miguel Sousa Tavares porém mais uma vez, a mim pareceu que mentia. Tivemos o temporal na Madeira. Pior do que isso só aparecer mais um “caso nos média” contra o nosso querido primeiro-ministro. Houve vendaval também em Olhão com o Sporting a não dar uma para a caixa. Os Boys do PS é que continuam na maior e a somar pontos. Hoje excepcionalmente palavrinhas para eles.

 

 Hoje (Bo):
 Boiz
 1. Armadilha para pássaros.
 2. Fig. Engano, cilada.
 Pl.: boízes
 (Eu não disse que os boys existem tal qual bruxas. Só que ganham muita mais. E se ganham)
 Boleeiro
 1. Cocheiro que monta a besta de sela.
 2. Cocheiro.
 (Estão a ver? Não? A cena do Figo porra! Ah... perceberam. Ainda bem)
 Bonifrate
 1. Boneco de engonços.
 2. Fig. pessoa delambida, ridícula, leviana.
 
 (Terá isto alguma coisa a ver com as nomeações dos boys? Alguma vez? Nem pensar)
 Borco
 1. Us. na locução de borco, com a boca para baixo (falando-se de vasilhas).
 2. De bruços ou com a face para baixo (falando-se de pessoas).
 
 (Não confundir com porco. Mas é o que parece que somos,  nós eleitores, quando depositamos na urna. De bruços e cabisbaixos o papelito)
 Borzequim
 Botim de cano aberto.
 (Mas como sempre voltamos aos sapatinhos dos nossos políticos. Que seria a vida deles sem eles... e a nossa sem botins)
 
 (Um tacho na PT para quem enviar palavrinhas para os nossos queridos e amados boys)

sinto-me: boy


Quinta-feira, 18 de Fevereiro de 2010
A Praia do Pôr do Pau (2)

 A platibanda da casa da minha “tia grande” escondia uma pequena açoteia a única da casa e como é comum em quase todas as típicas casas algarvias. Lá estavam sempre espalhadas num dos cantos amêndoas, alfarrobas e figos que secavam ao sol. No final da açoteia havia um telhado em declive formado por telhas curvas e musgosas que desciam até quase bater no chão junto à porta das traseiras. Chegavam tão baixo que eu, subindo um pequeno declive, mesmo com a altura dos meus três anos quase lhes tocava com a mão, tal era a forma como a casa se encontrava incrustada no declive do monte.

 
 O musgo das telhas era preto. Julgo eu por ter perdido o verde aveludado do inverno ao ser queimado pelo sol do verão. Também em tempos de estio para quê musgo verde? O Natal já lá vai e ainda é cedo para o apanharmos para o próximo presépio de Natal. Era assim a casa da minha tia.
 
 Do interior da casa saíamos para o pequeno quintal das traseiras por uma pequena porta de madeira encimada por um pequeno alpendre. Todo o quintal era confinado pelas arribas do morro escavado onde a casa assentava. No cimo morro havia uma alfarrobeira enorme, maior do que a minha “tia grande”, mas que proporcionava sombra ao pátio nos dias quentes. O quintal era a zona da casa onde se faziam as mais diversas tarefas do dia-a-dia. Por isso convinha estar fresco.
 
 Por debaixo da alfarrobeira e também no quintal estava o viveiro de plantas da minha tia. Era formado por latas de “Ovomaltine” alinhadas. Vazias do cacau mas cheias de terra da alfarrobeira e que serviam de berço aos rebentos de rosas, malvas, cravos e outras flores. Não podia haver melhor berçário. Os rebentos da pequena “estufa natural” eram adubados e protegidos do calor e das intempéries pela sua mãe arvore. A velha alfarrobeira de dezenas de anos com os ramos e galhos tão retorcidos pelo tempo que alguns deles até já batiam no chão.
 
 Num dos ramos mais altos estava pendurado um baloiço feito de corda de sisal grossa de um dedo e uma tábua que servia como assento. A tábua estava já bem polida pelo uso dos meus primos. Alguns deles eram bem mais velhos do que eu e por isso já não me tinha de preocupar com as puas que se pudessem espetar o traseiro.
 
 Enquanto eu e o meu primo mais novo brincávamos no baloiço o meu tio velava por nós sentado numa cadeira de encosto feita de ripas de madeira cruzada, com travamento de entalhe, onde assentava um recosto de pano às riscas azuis e brancas. Era uma cadeira igual a tantas outras que ainda hoje se encontra à venda nas feiras tradicionais. O meu tio era pequeno e quase se perdia no assento desaparecendo no meio do pano-cru.
 
 Na hora certa a minha tia chamava por nós: “Meninos... Hora do lanche!”
 
 E lá íamos nós (o meu tio incluído) para a grande mesa de madeira que havia no quintal. O lanche era “Ovomaltine” e pão quente barrado de manteiga fresca que espalhava o seu cheiro por todo o lado, abafando os odores da alfarrobeira e das flores.
 

 Ao terceiro lanche percebi o porquê de os vasos das podas serem todos iguais e latas de “Ovomaltine”. Era porque repetíamos sempre a dose. A minha tia não devia ganhar nem para as latas, nem para o cacau.


sinto-me: a beber ovomaltine


A Carta Amarela (15)

 Não sei de onde me veio a força. Abri o envelope devagar e com cuidado. O papel estava húmido. Semi-colado. Desdobrei-o vagarosamente para não o rasgar. E comecei a ler:

 
 "13 de Fevereiro..."
 
 Bati com a mão e a porra da carta na testa e doeu-me. Foda-se. Tinha mesmo de ser na data do meu aniversário. Já não bastava a merda de fazer anos, senão ainda a filha-da-puta desta merda da carta amarela que não me larga e lança a data.
 
 Estive tentado a rasga-la com toda a fúria que me corria nas entranhas. Só não fiz porque tocou o telefone:
 
 - Estou?
 - Olha... Não quero incomodar mas o patrão perguntou se vinhas trabalhar hoje.
 - Que horas são?
 - 9:30!
 - Foda-se... Diz-lhe que estou aí mesmo á porta.
 
 Mentira. Apareci duas horas depois. A culpa também não foi inteiramente minha. Foda-se... foda-se... fodaaaaaa...se. A bateria do carro tinha de pifar mesmo agora. E agora? Agora que se lixe. Não tenho dinheiro para o táxi. Vou a pé.
 
 Cem metros mais à frente já estavam cansados. Eu e os meus pés. Entrei num café e pedi “bica” e meio whisky.
 
 - Meio whisky é só isso? ... Ponha dois.
 
 A meio do primeiro levei a mão ao bolso e não senti a tua carta. Amarela. Tinha-a deixado em casa. Senti-me aliviado por não a ter comigo. Ao mesmo tempo fiquei nervoso por não a ter comigo. Faz muito tempo que ela faz parte de mim. Nunca a deixo. E agora? Voltar atrás era mais cem metros. Retornar ao ponto onde estava perfazia duzentos. Uma maratona. Eu não sou nenhum atleta. E é só um papel de carta. Amarelo. Como toda a minha vida. Escrita em papel amarelo.
 
 Começou num belo dia de Fevereiro quando o meu pai na conservatória, ainda meio bêbado da festa de comemoração da véspera foi despachar o nato (Eu) no impresso n.º 1 amarelo e com a obrigatoriedade de preenchimento de todos os campos. O por favor da minha Certidão de Nascimento foi dito – a seco - por uma “menina do registo” com cara de fuinha e caixa de óculos que mais parecia um armário.
 
 O meu pai cumpriu o ritual com a letra tremida da ressaca e os dados incompletos que ele não sabia. O meu nome foi escrito assim como que meio arranhado a azul no amarelo daquela maldita página.
 
 - Boa, pai. Saíste-te bem! – Teria eu dito se lá estivesse presente.
 
 Nem sei que raio de merda é que ele escreveu no impresso n.º 1 amarelo naquele dia. Apenas sei que quando preciso de algum documento que autentique que eu nasci vejo-me grego para o atestar. Mas com mais ou memos confusão e um pouco de paciência á mistura, acabo sempre por o conseguir o documento em causa. Nunca sem antes preencher mais a merda do impresso n.º 13 também amarelo. É sina.
 
 Cada vez mais me convenço que no impresso amarelo do registo de natalidade deveria haver um campo de preenchimento obrigatório com a seguinte frase: “O menino(a) foi concebido com amor? Responder com sim/não. Tecnicamente não serve para nada, mas dava veracidade á coisa e sei lá, se calhar ultrapassava-se burocracias.
 

 Nunca perguntei ao meu pai se fui concebido com ou sem amor. O amor dele bastava-me. Mas mesmo assim acho que lhe devia ter perguntado. Só que entretanto um dia o gajo... morreu.


sinto-me: caixa de óculos


Quarta-feira, 17 de Fevereiro de 2010
A Carta Amarela (14)

 ...

 

 Ainda estou a tentar encontrar coragem para abrir a merda de carta

 

 ...


sinto-me: com vergonha


Viva o Sócrates, o Polvo e as Birras do Leal

 “Polypous”. Pois é. Ainda não percebo porque raio os gregos teimam em chamar ao polvo “polypous”. Será mania? Também quem é que conhece os gregos. Quanto mais tentamos entender mais gregos ficamos.

 

 Mas nestes últimos dias, e por causa da crise na Grécia, percebi que “octupultavam” alguma coisa. Ou seja andavam a tapar a divida pública com uns mecanismos financeiros elaborados por uns bancos americanos e do qual os políticos não sabiam de nada.

 

 E perguntam vocês: “Mas o que é que isto tem a ver com o Sócrates?” Têm razão: “Nada!” Absolutamente nada. Mas mesmo assim não fica esclarecido. Nem o défice excessivo que ele, nem o seu ministro das finanças soube prever, nem as escutas – acontecidas por acaso a amigos do “premier” – do qual ele nada tem a ver, nem o “polvo cozido” em que se transformou a tentativa de controlo da comunicação social (mera “panóplia gastronómica”) para já não falar do “canudo-de-fim-de-semana” e das barracas construídas lá no campo (barracas mesmo) quando ele ainda era autarca.
  Coincidências? Não! Pode acontecer a qualquer um. Vitimizemo-nos pois e solicitemos moções de censura e reuniões de corja para ultrapassar a coisa. Como se de um polvinho assado na brasa se tratasse vendido à porta do “José Arcanjo”.  
 A “Ilha da Fuzeta” que por acaso se chama Armona partiu-se em duas. Nada que já não se previsse. Há uns anos quando surgiu o movimento cívico chamado de “avisar toda a gente”, alguns técnicos da Universidade do Algarve presentes nas reuniões promovidas e havidas por este grupo na Sociedade Recreativa previam já essa possibilidade. A possibilidade de forma natural o mar, mais tarde ou mais cedo, vir a abrir a antiga Barra da Fuzeta e também a chamada Barrinha da Ilha de Faro. Era tudo uma questão de tempo diziam eles. Aconteceu mais rápido do que eu pensava. Os viveiristas até viam com bons olhos tal possibilidade como forma de permitir uma melhor oxigenação das águas da ria. E não é que aconteceu mesmo.
 Por falar em movimentos cívicos. O “avisar toda a gente” teve imensa dificuldade em dialogar com a edilidade de Olhão. Foram pedidas reuniões com todas as câmaras da área da Ria Formosa. A última havida foi em Olhão e após inúmeras insistências, mesmo sendo o movimento aqui criado. Segundo parece e segundo artigo do “Brisas do Sul” o sr. eng.º Leal continua a fazer “birras” contra todas as possíveis opiniões que não sejam emanadas da sua farta e conceituada cabeça. Digo isto porque um outro recente movimento chamado de “APOS”, que aliás tem promovido diversas actividades de âmbito cultural com relevo para o concelho mesmo sem o apoio da autarquia, mais uma vez solicitou ao sr. presidente da câmara e sem sucesso, imagine-se um singelo apoio. No caso concreto para a sessão comemorativa do 1º centenário do nascimento de Alberto Iria. Não mereceu a sua atenção o pedido de utilização do Auditório da Biblioteca Municipal. Não me espanta. Aconteceu coisa parecida quando alguns malucos, eu incluído, tentam recuperar a antiga Sociedade Recreativa. Lembro que num dos primeiros eventos, solicitamos simples vazes de flores para decorar o recinto e, como o processo estava tão burocratizado, numa reunião posemos a possibilidade de os pedir à Câmara de Tavira. Não sei se por coincidência ou não lá apareceram vasos do viveiro de Olhão. Mais tarde quando a população começou a aparecer em massa nos nossos eventos ai sim, o sr. presidente começou a aparecer. Seria porque as eleiçoes estavam proximas? Más linguas.
 Fazer birras é feio sr. engenheiro. Ainda mais quando já somos crescidos. Espero que o Sr. Presidente da Câmara de Olhão não cometa os mesmos erros relativamente à Associação "Somos Olhão" recentemente criada. Não lhe vai ficar nada bem. Assim como os inúmeros buracos que continuam a aparecer nas ruas da minha zona e dos quais ninguém se dá conta.

 Viva o PS e demais Partidos! Viva o Sócrates e mais a ti’Manela! Viva o Polvo! Eu disse Polvo? Querem lá ver que vai dar arroz outra vez... Santa paciência. Já não bastam as lojas dos chineses.


sinto-me: de olhos em bico


Segunda-feira, 8 de Fevereiro de 2010
A Praia do Pôr do Pau (1)

 A Praia do Pôr do Pau é uma das mais carismáticas e desconhecidas praias no Algarve. Ainda bem que é assim. Não temos turistas a chatear. È uma praia só nossa e escondida por todas as forças que Deus nos deu.

 
 Eu conheci-a quando ainda era criança. Nesse tempo era a praia da minha “tia grande”. Só muito mais tarde soube o verdadeiro nome da praia assim como o da  minha tia Custódia que tinha uma casa lá perto.
 
 Naquele tempo para mim ela era a “minha tia grande”. Tinha quase dois metros de altura e eu, pequeno ao pé dela parecia um rato. Ela vivia em Setúbal e só cá vinha nos meses de verão, quando ocupava a velha casa de campo da família mesmo em frente á praia. Para mim aquela era a praia da minha tia.
 
 Era uma casa modesta caiada de branco. De arquitectura tipicamente algarvia e desenhada em quadrado. Mais do que um quadrado a casa da minha tia grande era um emaranhado de cubos dispostos de forma desordenada, mas sempre respeitando a toponímia do terreno, onde se perdiam quartos e quartos sobre o terreno onde ela assentava.
 
 As laterais da casa eram as únicas paredes totalmente brancas. A frontal tinha uma platibanda e um rodapé caiado a amarelo ocre. Na mesma frontaria havia um pequeno pátio raso ladrilhado, delimitado por um muro baixo decorado com recortes triangulares de tijolo burro. O chão do pátio, assim como o resto da casa tinha o mesmo ladrilhado, feito dos mesmos tijolos de barro. Apenas em algumas partes o chão tinha tons diferentes. Era fruto de pequenas remodelações como acontece em todas as casas.
 
 Para alcançar o pátio tínhamos de subir três degraus. Tantos como os meus anos de vida na altura. Lembro-me de os subir a contar e esticando os dedos: Um, dois e três. Orgulhoso por já os saber contar. A toda a volta do pátio havia um banco de pedra incrustado no varandim onde de quando espaço a espaço assentavam pequenos vasos de malvas coloridas por diferentes cores e feitios. Os seus odores batiam-nos na cara de vez em vez e faziam-nos rir.
 
 Já com o custo dos meus três anos de vida lá ia eu para o terraço para olhar de frente o mar que me parecia imenso. Não era mais do que um bocadinho da Ria Formosa. Mas para mim era como se a minha vista o alcança-se desde o cabo de São Vicente, passando pelo das Tormentas, até Goa e Macau. Imaginava eu. Navegador.
 

 Mas não era mais que salinas e sapais que se rasgavam na ria. Quadrados a negro e brancos feitos de terra e de sal. Seriam quase selvagens se não existisse ali a mão matreira do homem. Para lá das dunas da Armona era o mar. Esse sim aberto mas de que não se via o bater das ondas. Ouvia-se quando muito nos dias de levante. Sentíamo-lo lá ao fundo (longe) desenhado em mil e um tons de azul e verde feitos água. A mesma água que enlevava a minha caravela de puto feita barquinho pintado de branco na carapaça de choco que o meu pai me dava, já com pau espetado e vela latina e lá partia eu rumando África.


sinto-me: na praia


Viva o Sócrates... Viva a Crise... Viva Portugal

 Durante cerca de um ano e meio publiquei num jornal regional do Algarve uma coluna semanal de opinião chamada: “Viva O Sócrates”. Como tudo na vida (também faz mais ou menos um ano) pensei que era a hora de a acabar e acabou.

 

 Lembro-me que quando a iniciei foi porque me parecia que (nomeadamente o Governo que tinha sido recentemente empossado com maioria) estava a tomar conta das “rédeas do poder” de forma que, para mim, no mínimo me parecia inadequada a um estado de direito e democrático. A sua prática governativa e legislativa (infelizmente) acabou por me dar razão.

 

 Alteraram-se leis sem ter em conta as consequências e a justiça chegou a um ponto em que já ninguém acredita nela - nem com balança, nem com espada - e a democracia coitada encobre os seios - não por vergonha dela em si – mas sim de quem dela se aproveita e abusa violando-a todos os dias.

 
 Esta semana no entanto o jornal “O Olhanense” pediu se podia contribuir com alguma coisa escrita e de forma regular. Pensei e acho que chegou a hora de retomar a “velha crónica”. Agora quinzenal e centrando-a também um pouco com a realidade do que acontece na cidade de Olhão.
 Esta quinzena Olhão tem sido notícia nos jornais nacionais e nem sempre pelas melhores razões: primeiro o mega julgamento de droga sem fim á vista, uma condenação por pedofilia ligada a um dirigente de um clube da cidade e finalmente, a noticia de que a CCDR dirigiu um auto de notícia à Câmara de Olhão, por atentado à Reserva Ecológica.
 Sobre os dois primeiros nem me pronuncio por razões óbvias, mas relativamente ao terceiro, acho que já é tempo do senhor presidente da câmara dedicar um pouco mais do seu parco tempo aos interesses dos munícipes.
  Não é a primeira vez que a edilidade se vê envolvida em situações do género. E a resolução dos problemas não podem ser resolvidas do modo como acontece. O Somos Olhão (SO) alerta para a situação, o assunto é publicado num jornal, no caso concreto no “Público” e a autarquia apenas diz “ter-se tratado de uma “situação pontual” que foi resolvida assim que o presidente soube da descarga, uma vez que não tinha sido dada ordem para tal.”
  Compete à câmara fiscalizar para que situações destas não aconteçam e não remendar quando o mal já se encontra feito. Enfim o Sr. Eng.º Leal lá sabe de sua justiça.
 Quanto ao país. Vocês já devem saber melhor do que eu. É a crise. Primeiro era nacional, depois passou a ser internacional e já só falta uma planetária. Mas não me espanta que o Sócrates utilize a terminologia. Apegado como está a dirigir o governo (se é que ainda o faça) de forma completamente abstracta e irreal, mais preocupado com a sua imagem e propaganda nos “média”, muito diferente da realidade e do caminho perigosamente estamos a trilhar.
  Uma fonte do governo alemão dizia esta semana que Portugal tem um primeiro-ministro que julga que é o George Clooney e governa o país como tal. Não anda muito longe da realidade. 
 São as escutas “mal ouvidas” e ainda menos esclarecidas, os orçamentos que de rigor apenas têm o nome, os almoços para celebrar os 100 dias do governo sem se saber o que se celebra, ficando a dúvida: será que pagou do seu bolso ou mais uma vez – em tempos de crise – pagámos nós os contribuintes? E depois fala do despesismo da Madeira. Santa paciência...
  O Vasco Polido Valente escreveu na sua crónica do domingo passado uma realidade crua em que diz o que tarde ou mais cedo vai acontecer: “ou desaparece ele ou desaparecemos nós”. Nós aqui - entenda-se - é PORTUGAL!
 Viva o PS e demais Partidos! Viva o Sócrates e mais a tia Manela! Eu disse Sócrates? Ai... Ai... que o director do jornal não me edita a crónica. Viva mas é Portugal! Que se lixem os chicos espertos.
 

 

 (Nota de ultima hora: Olhão continua porco. O departamento de limpeza continua a funcionar muito mal. Mas disso falaremos em próximas crónicas.)

 

 


sinto-me: lixado


Sábado, 6 de Fevereiro de 2010
Palavrinhas Quedadas no Uso (17)

 Temos Orçamento, mais escutas do Sócrates, umas migalhitas para o Alberto João e uma “crise” que, nem eu nem o ministro das finanças sabíamos que existia. Mas esta semana foi fértil em benesses e missas das seis. Nada mais acertado do que dar mais umas palavrinhas aos nossos queridos e amados políticospara ajudar a ultrapassar a crise.

 

 Hoje (Bi) não confundir com Bilhete de Identidade:
 Bichoca
 1. Minhoca.
 2. Pequeno leicenço
 (Não confundir com “bicha choca”, senão os gays engravidam e acaba-se a polémica da adopção. Mas podem ir tentando...)
 Bidé
 1. Móvel para lavar a parte inferior do tronco humano.
 2. Bras. Mesa-de-cabeceira; criado-mudo
 (Utensílio caído em desuso mas que fazia muita falta no Parlamento. É por estas e outras que sou contra o acordo ortográfico. Quem é que se havia de lembrar de chamar a um criado-mudo: Bidé. Fosga-se só mesmo os brasileiros)
 Bilharda
 1. Antigo jogo de rapazes que consiste em fazer saltar com um pau comprido outro mais pequeno aguçado nas duas extremidades, procurando-se que este não caia dentro de um círculo que se traçou no chão.
 2. O pau mais pequeno que entra nesse jogo.
 (Ora ai está uma maneira saudável de utilizar os espaços perdidos da Assembleia. O pau pequeno podem-no pôr onde bem entendam, desde que não seja no meu)
 Bínubo
 Que contraiu segundas núpcias.
 
 (Pagava para ver o Sócrates casado com a tia Manuela. No governo, entenda-se, era bonito era)
 Bisbórria
 1. Bigorrilhas.
 2. Trapalhão.
 3. Troca-tintas.
 (Estão a ver o filme? O troca-tintas do Sócrates a pedir à Manela: Vamos dar uma queca? Nem imagino a resposta da dita cuja)
 Bizarrear
 1. Proceder com bizarria.
 2. Vangloriar-se.
  (Mas aposto que como ele é, no dia seguinte, marcava logo uma conferência de imprensa para dizer que tinha sido a queca da sua vida)
 
(Uma noite numa Pousada de Portugal, à escolha com a Tia Manela ou com o Sócrates,  para quem enviar palavrinha para os nossos queridos e amados políticos)

sinto-me: quecado


Gandes Malucos


sinto-me: maluco


Quarta-feira, 3 de Fevereiro de 2010
A Carta Amarela (13)

 Não fiz mesmo a ponta de um corno durante todo o dia. Pelo que menos que me lembre. Acordei, foi ressacado e já era manhã outra vez. O que poderia e onde ser? Na viela do Chico da Buzia. O cheiro a urina empestava. Já não o distingo do meu. O chão era e é o meu colchão, uma mistela em banho, meio mijo, meio vomitado e cerveja qb. Já nem me agonia. Acho que é pelo hábito. O meu hálito é mais forte do que os odores da ruela.

 
 Levantei-me como sempre a custo (zero). Como um zero (nada mais) era como eu me sentia. Vazio. Por instinto a minha mão caiu na algibeira. Procurando tabaco mas também a carteira. A carteira estava lá o tabaco é que não. Merda para esta rasca geração que não rouba carteiras vazias, mas nos priva do primeiro cigarro da manhã. Ainda pensei que o maço pudesse estar na outra. Não. Apenas lá esta a puta-merda-da-tua-carta... amarela.
 
 Despi e atirei o meu casaco preto ao chão com raiva. Sai mais caro a limpeza a seco do que comprar um novo- pensei. Só é pena emporcalhar a ruela. Não... não te deitei fora. Nem tu nem a tua carta porque a meti num dos bolsos traseiros das calças juntamente com a carteira vazia. Se deitei fora (o casaco) foi porque o achei demasiado encharcado de “ti” e mal cheiroso da minha vida, esqueci o casaco. Esqueci-me de ti.
 
 Precisava dum café. Bebi dois. No café do Afonso e bem regados com os meus inseparáveis cinco cigarros matinais que fui cravando a quem passava.
 
 - Oi!
 
 - Oi Afonso! Desculpa mas hoje estou “out”, como já percebeste. Mas podes pedir que me tragam outro café? Por favor?
 
 Foi o terceiro e mais outro cigarro que lhe cravei e ainda um maço ainda por abrir que ele me ofereceu. O Afonso é um gajo porreiro. Estou-me cagando que seja contrabandista de tudo e mais alguma coisa incluindo tabaco. O gajo é fixe e eu de maço cheio outra vez, feliz, não me meto em vidas alheias.
 
 Falamos durante um bocado já não me lembro de quê, até o relógio da igreja bater as oito e como sempre, eu, com a desculpa de estar com pressa disse:
 
 - Afonso? Olha... até amanhã, põe na minha conta, tá meu? – e saí porreiro batendo mão na mão.
 
 Nem faço a mínima ideia de quantos cafés lhe devo, nem a porra da quantidade de maços de tabaco. Que se foda. Cá para mim acho que ele também não faz a mínima puta ideia da coisa. Deve ser por isso que dizem que os amigos verdadeiros não se chateiam com coisas de somenos. Deve ser isso. Pelo menos eu. Comigo e com o Afonso é assim e funciona.
 
 Hora bonita a de bater as oito. Com água quente e shampoo no banho e creme de barbear com lamina na cara. Só que fazer a barba no espelho custa mais. Pelo menos a mim. Por causa da realidade que se me apresenta e a imagem. Arrepia. Mas depois de a lavar um pouco por fora e pôr uma pitada de after shave, na dita cuja, surge o milagre e tudo fica de repente mais bonito. Nós corpo e o espelho, eu, tu e tudo o resto para que me estou marimbando.
 
 Contudo ao olhar o embaciado espelho em que me vi difuso, vi o teu reflexo por momentos e lembrei-me dos banhos que tomávamos juntos. Do cheiro do sabonete de que gostavas tanto. Do teu cabelo molhado. Da tua pele regada por gotas que as minhas mãos deixavam quando te ensaboava. Por momentos lembrei-me de ti e gostei da sensação. Deve ter ser por causa do cheiro do sabonete. Será que os sabonetes têm memória?
 
 Mudei de roupa. Cuecas incluídas e ao meter as usadas no cesto da roupa para lavar lá estava ela, junto com a carteira vazia, a tua carta amarela que sobressaia da algibeira das calças sujas que lá tinha enfiado antes.
 
 Fiquei parado a olhar para ela. Ainda me pareceu mais amarela por causa da luz reflectida do nascer do dia que entrava pela janela. Cintilava. Não por estar enrugada e velha mas sim pela humidade que a água quente havia depositado nela. Ficamos assim por um bom bocado calados. Eu e a carta.
 
 Criei coragem e abri-a.

sinto-me: o tarzam


Segunda-feira, 1 de Fevereiro de 2010
A Carta Amarela (12)

 Apenas sonho e anseio o dia em que nos vamos ver de novo. As noites que vamos passar juntos vêem depois. Os beijos que vamos trocar. Que se lixem maldições e pregações de vizinhos por berros de amor atrasados. O amor é isso mesmo. Desabrochar para fora e alto e sem sentido. Os teus cabelos no meu rosto, os meus no teu, sensações. Os teus seios roçando os meus peitos. Os nossos lábios esventrando os nossos corpos fazendo com que se fundam num só. Os nossos sexos descobrindo todos os nossos sentidos sem nexo ou outra coisa que seja.

 

 Como te vou esquecer?

 
 Não vi mais o velho que dizia que se chamava Merlin. Quando acordei já era manhã. A Carta Amarela estava deitada a meu lado, feita eu, na viela da tasca do Chico da Buzia. Levantei-me, beijei-a e meti-a no bolso do casaco. Fugi para o trabalho atrasado como eu.
 
 Antes de começar a trabalhar abri a gaveta da secretária e reli mais uma carta tua, como faço sempre:
 
 “O meu pensamento desagua sempre em ti.

 Está uma tarde linda, com um céu azul muito límpido e um sol brilhante que empresta à cidade a luminosidade que lhe tem faltado nos últimos dias.
 
 Sentada na esplanada, num ângulo que privilegia a vista sobre a urbe, fixo os olhos ora no horizonte ora no livro que trouxe para enganar as horas do dia. Deveria sentir-me serena como o céu e radiante como o sol - a inundar de luz. Mas não, entre o café, o cigarro e o livro, faltas TU.
 
 Tu e o teu olhar doce, porque o espaço que penhoraste naquele fatídico instante - em que as tuas palavras soaram como o sopro de vitalidade que cortou o meu silêncio – arqueja pela tua presença. E de nada me adianta fixar o olhar no livro ou no horizonte e fingir uma aparência que não acompanha o meu estado de espírito.
 
 Negar-te é tão, ou mais, doloroso como negar-me a mim mesma. Opto, assim, por fechar os olhos e permitir que o pensamento desagúe em ti. E enquanto mantenho os olhos fechados, o vento, que não passa de leve brisa, traz-me o toque macio dos teus dedos enrolados em carícias.
 
 Não fiz mais nada a porra do dia todo. Só pensei em ti.
 

 (Entre aspas e itálico “contribuição de Maria TN”)


sinto-me: negado


Domingo, 24 de Janeiro de 2010
Os Orgasmos de Maria

 Plausível. Essa palavra para mim foi sempre “isso” – dai pouco usual na minha linguagem, sentida ou não. Sou adverso por natureza a situações razoáveis – plausíveis. Fico aliás até ligeiramente acanhado, boquiaberto e com bicos no nariz quando tais situações me são colocadas. Sou muito directo: ou as coisas descambam e entro nessa pelo prazer da aventura ou, caio em mim e naturalmente acabo com a sensação de nada se ter passado.

 
 Naquela noite porem - baixas horas - ligaste e disseste: Estou cá. Apareceste despercebida pela “quase-semi-calada” noite. Eu estava chateado como sempre e – Tu – entraste em mim. Como sempre faço em situações inusitadas e pensei: Foda-se que se Foda... vai ser giro.
 
 Mandei-te um piropo. Continuaste calada, sem pronunciar palavra ou letra. Eu, pelo contrário, como geralmente faço, estive-me cagando para o teu silêncio e contei-te uma das minhas histórias malucas sem me importar das reacções ou comentários e nomes ofensivos vindos da tua parte.
 
 Não sei como nem onde reparei em ti. Ou talvez tu em mim. Esquisito mas criou-se um “ellan” que nos deixou abertos de bocas e olhos á espera do que um ou outro pudesse dizer na sua distante timidez. Não sei como mas trocamos fluidos etéreos sem cabos nem rede nas ondas hertzianas e placas verdes com “chip’s”, que nos mantém agarrados á vida. Julgo que sem o sabermos até mandámos um pouco do nosso cheiro um ao outro e, pouco a pouco, falámos de coisas banais de escritos, de ideias e imagens, imaginando beijos em putos e até que me surgiste assim mesmo, lembras? Sentada em cima de um camelo no deserto. Um conto das mil e uma noites.
 
 Essa merda bateu comigo. Aliás sou um, embora  incógnito, convicto activo defensor de camelos. Ver-te sentada em cima de um deles mexeu deveras comigo. Fisicamente conheço poucos, só os do dia-a-dia, os chamados “camelos de café” que deambulam por aqui. Os originais, desses, tirando os que vi no zoo de Lisboa quando era puto e uns poucos em Marrocos (mas esses coitados era mais mosca que camelo) não tenho muito mais conhecimento. Mesmo assim continuo filiado na Sociedade Nacional de Protecção de Camelos (SNPC) por entender que uma vida sem camelos não tem graça nem cria bossa. Aliás os camelos guardam diligentemente nas suas bossas uma infinidade de coisas. Enganem-se os que julgam que elas só servem para armazenar água. Armazenar é a sua maneira de “esconder segredos” para atravessar desertos, por exemplo “viver” e, outras necessárias coisas mais importantes de todos os dias: como amores, ódios, sensações, “beijos-de-alma”, arrepios, “pés-de-galinha”, cócegas, etc. e os camelos sabem-nas dosear como nenhum outro animal. Tudo á temperatura ambiente e do deserto.
 
 Existem actualmente pacotes á venda, em qualquer grande superfície (para consumo imediato) de coisas de vida embaladas em bossas de camelo mas não é a mesma coisa. As bossas nos supermercados são feitas de plástico e os produtos no seu interior desidratados para ocupar o menor espaço possível. Por exemplo no caso do amor vem nas instruções o seguinte: misture com um pouco de paixão e espere meia hora. Mas também como o amor nunca fez mal a ninguém (desde que não fingido) na bossa do camelo é como as Aspirinas e, destas já que também ninguém lê as instruções na embalagem, acaba por ser consumido como as mesmas precauções e de qualquer maneira. Não pode ser. Daí os medos tornarem-se realidade e necessários para não haver motivo para falsas preocupações e agir de forma precipitada. Escrevia para o caso de serem alérgicos à Aspirina e provocar alguns desperdícios.
 
 No amor é diferente, como em quase tudo ressalvemos, mas no caso concreto do amor resta beijos e alguns (poucos) restos de saliva, olhos vidrados e as conhecidas dores de barriga (enquanto gaguejamos) e em casos mais graves um último adeus de parte a parte.
 
 Desculpem o aparte entre “aspas”:
 
 “Não sei porquê mas falar de camelos faz-me ficar melancólico e triste. Recordo, sempre, mas sempre, caras antigas e sobras de emoções, acenos subtis a gente e em casos subtis de abusos, para não falar dos calos na ponta dos dedos devidos a carícias e noites mal dormidas.”
 
 Passado o aparte entre “aspas”.
 
 Igualmente no rotulo de uso da bossa de camelo escrevem: “O seu uso em excesso e, gelado, pode provocar sintomas adversos e danos irreparáveis!” – confesso que nunca senti nenhum – “Tais como: gaguez durante o acto sexual, inibições da libido, acessos periódicos de paixão e, em casos muito graves, queda acentuada de cabelo.” Para ser franco e dizer verdade estou-me cagando para o que lá vem escrito.
 
 Como dizia acima e que eu saiba o amor nunca fez mal a ninguém. Assim como ninguém lê o folheto com as indicações para a toma da Aspirina. Cá para mim, aviso, que uns e outros são completamente desnecessários e só provocam alarmes inusitados, do mesmo modo com que nos tentam impingir que a masturbação faz mal ao sexo não sei de quem. Acredito verdade que pessoas inexperientes no acto não o controlem de todo. Mas muito boa gente também não sabe o que é um clitóris – verdade? – SIC.
 
 Sabemos ainda que a masturbação consiste fundamentalmente em excitar física e mentalmente os órgãos genitais respectivos. Explico: no caso do homem o pénis e no da mulher o seu, conforme dito clitóris. O complicado, para alguns, é que em determinadas situações existe a não existência física de um destes órgãos na pessoa que pratica o acto da masturbação, mas isso só acontece em casos extremamente raros ou devido a graves acidentes. Noutros casos porem, mais complicados, a não “descoberta do corpo quando jovem” que - embora eu não seja lato no acto - obriga a alguns exercícios de “rebusca e procura de prazer” e do “controlo do movimento mecânico sincronizado”, este obtido ainda em fase de crescimento pré-natura, com as suas vantagens ou desvantagens em encontrar prazer que se veja.
 
 Afinal toda esta conversa veio á baila porquê? Não interessa e se acharem por bem fica resumida a um facto concreto. A Maria, pelo menos a que conheço, nunca teve um orgasmo na sua vida. Nem deve perceber o que tem perdido durante tantos anos. Mas dever-se-á a quê? Serão problemas físicos ou mentais? Como não sou sexólogo, nem ginecologista e muito menos psiquiatra, inibo-me da resposta, esclarecendo apenas o facto de não ser por causa da falta do dito cujo órgão: o clítoris.
 
Desculpem, mas que andava com esta confusão na cabeça... andava.
 


sinto-me: clítoris inibido


A Carta Amarela (11)

 Sempre que releio as tuas cartas fico assim. Na merda. Será que eu sou mesmo assim como me descreves? Tão frio, tão vazio? Sei que não sou nenhum “menino de coro”, antes pelo contrário, mas também não sou um monstro.

 
 Tenho o meu defeito e tu sabes. Teimo em fechar-me dentro de mim e perder a chave. Talvez o faça muitas vezes e por muitos dias seguidos. É verdade. Talvez também não saibas, nesses dias, se estou fechado em mim ou simplesmente noutro lado qualquer. É verdade. Como o podes saber se não falo contigo? È defeito, meu, eu sei.
 
 Mas tenta entender. È o casulo onde me escondo e espero que a “metamorfose” cumpra o seu destino. Por outras vezes e também sabes, hiberno. Feito urso aninho-me no mais profundo da caverna e sonolento sonho e sonho sem parar sempre contigo.Não choro em cada sonho, pela simples razão de que os ursos não choram. Mas por vezes acho que me fazia falta. Se calhar sentir-me-ia mais feliz.
 
 De cada vez que reabro uma carta tua (trémulo) e a releio, primeiro fico eufórico como no dia em que a recebi, mas depois com o passar das linhas fico letárgico e com vontade de chorar por te ter perdido. Mas nunca passa disso, vontade.
 
 Continuo... e sem chorar. Corpo complicado este de que somos feitos. Tão complicado que lá é impossível encontrar lágrimas.
 
 Estava e estou na merda. Física e psicologicamente. Cada dia mato-me mais um pouco. Pouco a pouco. Custa-me cada vez mais ser vivo. Penso mil e uma vezes ligar com a pergunta:  “Jantamos esta semana?”. Mas já sei a tua resposta de outras vezes e sempre: “Não!” Por isso não ligo nem me importo. Seria apenas outro dia. Mais um dia em que me podia matar um pouco mais, contigo é verdade, no exterior do casulo, mas não mais que isso. Ainda tenho a tua última carta. Amarela do tempo em que não a abri mas acabo por reler e sempre outra.
 
 Porra... Fiquei sem tabaco. A bebida também é pouca. Tenho de sair do meu casulo. Saí com a carta amarela no bolso do caso. Cheira a tabaco por a meter sempre na algibeira do Marlboro. Comprei o tabaco numa tasca. Perdi-me nas outras. Talvez por isso não te tenha encontrado.
 
 Já não me recordo quanto tempo passou nem quantos copos bebi. Mas conheci um velho. Paguei-lhe um copo e bebemos muitos mais, não sei quantos, não me lembro. Perguntei-lhe o nome como se deve fazer em apresentações formais de estranhos. Disse-me que se chamava Merlin, com presunção. Ri que me fartei e só parei para ai no décimo copo e ele a teimar que era mesmo assim que se chamava. Coisas de velhos.
 
 Como o velho até era porreiro falei-lhe da tua carta, amarela e mostrei-a. Olhou-me de relance, a mim a carta e nem a leu. Não sei mas fiquei com a sensação que ele sabia o conteúdo da tua carta. Mais pasmado fiquei quando falou de ti e do que lhe tinhas pedido e ao qual ele respondeu que não. Fechei os olhos um momento e pensei: estou bêbado? Esta história não faz sentido. Estarei a sonhar?
 

 Malditas ressacas.


sinto-me: ressacado


O Apito Dourado

 Finalmente no YouTube as gravações do apito dourado, para não dizerem que era mentira.

 

 Mas não sei porquê... as palavras são as mesmas mas gosto mais da "escuta cantada".

 

 


sinto-me: da bola


Domingo, 17 de Janeiro de 2010
A Tragédia do Haiti

 Que dizer sobre isto?

 Nada!
 Deixo somente vídeos. Poucas palavras. As palavras nestes casos não são necessárias. São apenas acessórios.
 Um é sobre o drama corrente, o outro sobre a ajuda dada e precisa anteriormente devido a calamidades e á ganância dos homens e outro ainda, não só pela fonética do nome da canção (guardando as distancias necessárias) mas que prova que quando se quer alguma coisa, e neste caso é bem precisa, tudo é possível.
 É mesmo possível viver ou até renascer de novo, lutando contra a natureza ou contra os "homens".

 Acreditem... é verdade.

 


sinto-me:


Quinta-feira, 14 de Janeiro de 2010
Palavras Caidinhas no Uso (16)

 E já está. Bastou ir lá o Sócrates e temos casamento gay. Vamos ver é o que vem depois. Não... não falo do Papa, tanto se me dá como não se ele vem a Fátima ou não, falo sim das adopções. E se um dia, com o evoluir da ciência os casais homossexuais conseguirem procriar de forma natural, sejam homens ou mulheres? Não acreditam? Eu por mim acredito em tudo. “Desde que a Nossa Senhora de Fátima apareceu em cima de uma azinheira”... nada me espanta. Mas deixemos isso para ver mais palavrinhas esquecidas.

 
 Hoje (Be):
 Beaturro
  Beático
 (A mesma coisa que as beatas mas só que com pilinha. Eles e elas lá sabem porque andam a apanhar pontas de cigarro nas igrejas)
 Bebé
 (francês bébé)
 Criança recém-nascida ou com poucos meses de vida.
 
 (A minha mãe sempre tinha razão. Afinal os bebés sempre vêm de França. E quando nascerem dos casamentos gay? Temos de inventar uma palavrinha. Serão Homobebés ou Bebéshomos? Até lá ainda se arranja coisa melhor. Filhos-do-sócrates é que nem pensar)
 Bedel
 Empregado de secretaria que, na Universidade e outros estabelecimentos de instrução, aponta as faltas dos estudantes e dos professores.
 (Pois é. Com as faltas que os nossos queridos deputados continuam a dar temos mesmo de arranjar um “bufo”, desculpem, bedel. Até podia ser o Paulo Portas. Ficava-lhe bem esquecia a diabetes)
 Benquistar
 1. Tornar benquisto.
 2. Conciliar.
 3. Tornar-se benquisto.
 
 (Não confundir com o barulho na Luz quando o Saviola marca um golo. Mas na assembleia até ajudava. Debates difíceis... lá vinha o Sócrates da cúpula feito borboleta a bater as asinhas como a águia na Luz, pousava na hemiciclo e toda a gente batia palminhas. Sem ofensa para o bicho das penas)
 Berimbau
 Pequeno instrumento infantil, de ferro, que as crianças tocam, segurando-o com os dentes.
 
(Já tive um quando era puto. Porra quando falhava e batia nos dentes... carago. Pior que isso só as gaitas nos jogos da CAN, nem dá para ouvir os comentários)
 Bestiaga
 1. Besta reles.
 2. Fig. Pessoa muito estúpida.
 
 (Não sei se vos parece o mesmo mas cada vez mais confundo os políticos no activo com isso)

 (Uma peça em porcelana do “Sócrates Borboleta”, “made in china”, para quem enviar palavrinha para os nossos queridos e amados ministros)


sinto-me: borboleta no hemiciclo


Segunda-feira, 11 de Janeiro de 2010
Sri Lanka 2010

 Como podem coexistir estes dois “ecossistemas”?

 

 O vídeo da ONU.

 

E este outro abaixo


sinto-me:


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